Calcinha para quem?

Não é novidade que a mulher, em todos os cantos do mundo, continue como alvo de objetificação em campanhas publicitárias, muitas vezes ridicularizada, fetichizada e submetida a situações de inferioridade. 

A campanha​​​ Women Not Objects traça um panorama de como isso vem acontecendo desde a década de 1950, momento ​em que a cultura pop promoveu, com a disseminação de cartazes, a venda de bens de consumo e de um estilo de vida centrado nas conquistas do capitalismo norte-americano.
Desde então, pouco mudou. E o que é ainda mais perigoso, tornou-se banal.
Tão comum que muitas vezes nem as próprias mulheres percebem o quanto o mercado e a publicidade são hostis aos seus próprios desejos e apresentam uma grave deficiência em enxergá-las como consumidoras dos próprios bens que a 
diminuem.

vídeo da campanha Women Not Objects

É importante ressaltar o dano dessa discriminação quando ela é sútil e mascarada. Ao tentar valorizar a mulher como figura determinante na economia, a publicidade muitas vezes a ​insere no espaço doméstico ou na função da maternidade, destinada à reprodução e ao cuidado dos filhos (enquanto o homem está promovendo o futuro da prole ou salvando o mundo de uma grande catástrofe). Essa é uma maneira perversa de ​o sistema limitar o nosso pensamento e de manter intacta a doutrina de que a mulher só alcançará sua realização ao casar ou ser mãe. E que,​ ainda, o seu único papel na sociedade seja o de servir sempre e em primeiro lugar ao homem.

No mercado de roupas íntimas isso é ainda mais evidente. É quase inexistente a ideia de que peças como ​calcinhas e sutiãs sejam essencialmente feit​a​s para a mulher, para o seu dia a dia, para o seu bem-estar e saúde. Ela sempre esteve e ainda está vinculada a um lugar de admiração e prazer masculinoUm item básico de necessidade feminina, na realidade, é vendido como objeto de fetiche que posiciona a mulher segundo o olhar do homem.

imagem reprodução

No entanto, a representação hipersexualizada da mulher na publicidade ignora estatísticas econômicas e sociais que confirmam uma significativa contribuição feminina na renda familiar, sendo o público feminino responsável por 80% das decisões de compra.

​É essencia​l ​que as mulheres se identifiquem com as campanhas publicitárias e que as marcas, não só do segmento de lingerie, dediquem seus esforços à uma representação mais próxima da realidade feminina.

 

Isso significa que,​ ao retratar a figura feminina​,​ deve-se atentar ao fato de que​, ​hoje, ​ela faz parte do mercado de trabalho, tem voz ativa na política e está ocupando cada vez mais cargos de poder, apesar de ainda ser minoria. A mulher não está mais somente no ambiente de casa, cuidando da comida e da roupa da família. E, mesmo se estiver, ​isso deve ter o seu valor como trabalho,​ e não como obrigação da mulher em uma relação familiar.

 

 

É urgente que nós, como marcas​,​ prestem​os​ atenção ao modo como propagamos a imagem feminina. ​Para desconstruir padrões, para mostrar o verdadeiro valor da mulher e suas infinitas potencialidades. Para que cada mulher, nas suas diferenças e semelhanças, consiga se enxergar em cada comunicação e propaganda de marca e então escolher, com liberdade, o que deseja de verdade usar.​

 

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