Conheça as mulheres por trás da Nós | P + N

A Gioconda sabe que empreender é um grande processo de descoberta e de acreditar na própria força, não só do negócio, mas principalmente das pessoas que estão por trás de cada projeto. Hoje conversamos um pouco com a Fernanda Ramalho e com a Juliana Bertolucci, que são as mulheres criadoras da Nós | Pessoas + Negócios. Elas também são empreendedoras e trabalham ajudando pessoas a direcionar melhor sua caminhada, seja individual ou na criação e desenvolvimento do próprio negócio. A entrevista abaixo serve como um tira gosto do que vai rolar na roda de conversa que estamos oferecendo com elas – e que vai acontecer em agosto. Se você ainda não contou a sua história para a gente, não perde tempo! Para concorrer é só mandar um texto sobre o seu projeto em contato@giocondaclothing.com.br. O único pré-requisito é não ter participado do Jardim Secreto nenhuma vez. Boa leitura!

 

-Como funciona o trabalho de vocês?

A Nós tem duas frentes principais de atuação: pessoas e negócios. O coaching é o fio condutor do nosso trabalho e agregamos aspectos do design thinking e modelagem de negócios, principalmente na atuação com empreendedores.

Falando especificamente do trabalho com empreendedores, nosso convite durante o processo é para que os clientes mergulhem em seu negócio, entendam seus porquês, suas necessidades, objetivos e sonhos. E, a partir daí, construam um plano de ação bem estruturado para ter mais tranquilidade e assertividade nas tomadas de decisão do dia a dia.

Além desse trabalho com empreendedores, oferecemos também coaching individual e workshops. No coaching individual, olhamos para os mais variados temas pessoais e profissionais (falamos mais disso aqui). Já nos workshops, trazemos temas comuns a pessoas e negócios, como liderança, empreendedorismo e carreira para serem trabalhados em grupo.

 

-Como vocês descobriram o potencial e o propósito de trabalhar ajudando empreendedores a crescer dentro do próprio negócio?

Foi uma construção orgânica muito legal. Inicialmente, a gente começou a trabalhar com coaching individual, mas sempre acreditamos que tinha um caminho muito interessante em negócios menores e familiares, justamente por serem ambientes em que as pessoas já são naturalmente mais valorizadas e percebidas. Além disso, notamos que o formato tradicional de cursos de gestão e de plano de negócios não atendia pequenos empreendedores, principalmente da economia criativa e produtores manuais. Queríamos dividir com os outros o modelo que havíamos aplicado em nós mesmas: mais ágil, simplificado e atingível dentro da realidade de quem, normalmente, está naquela fase de desempenhar todos os papéis e áreas do seu negócio.

Agora, na prática, começamos assim: no início de 2015, conversando com uma amiga que tem um coworking (o Estação Coworking) e ouvindo suas principais preocupações e desafios, lançamos a ideia de trabalharmos juntas, pois realmente acreditávamos que podíamos ajudar. Ela, para a nossa sorte e felicidade total, topou e embarcou nessa com a gente. Fizemos o trabalho e, três meses depois, estávamos (nós e as clientes) na sessão de encerramento emocionadas e muito animadas com tudo o que havíamos construído no processo. E assim entregávamos nosso primeiro cliente empreendedor. Em paralelo, a Renata Dania (do Clube do Bordado), participou de um workshop de liderança nosso e, ao final, nos chamou para fazermos um processo de coaching com ela e suas sócias. Assim embarcamos no nosso segundo cliente. Fizemos um processo intenso e transformador com o Clube do Bordado, que gerou resultados bem concretos. A partir daí, o boca a boca entrou em cena, um negócio começou a indicar o outro e cá estamos. 🙂

 

-Qual o objetivo do coaching para empreendedores de pequenos negócios?

Os objetivos costumam ser bem específicos e atrelados ao momento de cada negócio. Tem cliente que procura a gente porque quer abrir um negócio, já tem a ideia toda concebida, mas não sabe por onde começar. Outros estão enfrentando diferenças de objetivo entre sócios e nos procuram para se realinhar. Tem ainda os que sabem que tem um potencial enorme, mas por falta de organização e planejamento não evoluem.

Para nós, o objetivo é sempre trabalharmos com pequenos produtores, empreendedores criativos, marcas – e pessoas – dispostas a olhar para dentro e colocar no mundo produtos e serviços que respeitam seus valores e são conscientes da sua razão de ser.

 

-A maioria das pessoas que começa a empreender tem um início algumas vezes difícil e lento. Como foi o começo de vocês? O que vocês indicam para contornar essa dificuldade inicial?

Nosso começo foi parecido com a grande maioria. Por um lado, várias ideias, uma vontade enorme de fazer e colocar no mundo tudo que estava dentro de nós. Por outro, aquele frio na barriga e muitas dúvidas. O início tem um ritmo próprio mesmo, mais oscilante, e ter clareza de onde queríamos chegar e do percurso que teríamos que percorrer foi um motivador bem importante para nós. Agora, a forma como reagimos a esse período foi diferente para uma cada de nós (dá para ler mais sobre isso aqui). E pela nossa experiência, podemos afirmar que as reações e formas de lidar de cada pessoa com esse período são bem particulares mesmo.

Nossa recomendação, justamente por sempre respeitarmos as características individuais, é equilibrar o desenvolvimento do negócio com o seu desenvolvimento comportamental. Aliar autoconhecimento com know how técnico e de negócios. Para nós, o mais importante é entender o seu jeito de ser e fazer. Até por isso evitamos recomendar conselhos do tipo “10 passos para conseguir ….”, “5 desafios que todo o empreendedor deve superar”. Não acreditamos que exista uma receita universal aplicável a todas as pessoas e negócios.

 

-Durante o processo, como vocês ajudam a mudar essa visão tensa do empreendedorismo?

O que fazemos é ampliar a consciência dos clientes sobre si mesmos e sobre seus negócios. Clarear e estruturar ideias e objetivos que muitas vezes estão confusos e encobertos por preocupações ou crenças sobre si mesmos e o ato de empreender. Provocamos e oferecemos condições para que perguntas importantes sejam respondidas: quem eu sou como pessoa e negócio? qual a razão do meu negócio existir? o que baliza a minha empresa? onde eu quero chegar e como fazer para chegar lá?

Ao final do processo, o objetivo é que os clientes estejam mais seguros em relação ao negócio, ao seu papel dentro dele e tendo clareza de quais ajustes e rotas tomar para realizar o que querem. Queremos que eles se apropriem de suas histórias e do seu negócio, olhem para ele de fora, sem deixar que os problemas, medos, vícios ou expectativas atrapalhem as suas percepções e desejos reais.

 

-Muitas pessoas têm medo de começar e acham que a ideia que têm não é boa o suficiente. Como acreditar mais em si e no processo de criação?

Aqui também não acreditamos que exista uma fórmula pronta ou mágica. Para nós, o caminho é entender o que limita, entender os seus porquês (ou propósito, razão de ser), o que você quer entregar pro mundo, o que te motiva. Acolher o seu jeito de ser, acionar seus talentos e características pessoais, reconhecer o que você já tem. E aí, com toda essa apropriação, pedir ajuda sempre que precisar, se cercar de gente boa que pensa e busca as mesmas coisas que você, se entregar ao processo e se manter em desenvolvimento e movimento. Mas, para quem acabou de dizer que não acredita em fórmulas, já estamos falando demais… rsrs

 

-Sei que vocês não gostam de dicas prontas, mas qual recado dariam para os empreendedores que estão iniciando?

A gente acha dica perigoso exatamente pelo que falamos na resposta acima. Muitas vezes, o que ajuda um cliente bloqueia o outro… Então vamos ficar na sugestão de ampliar o seu autoconhecimento junto ao conhecimento técnico. A partir daí, tomar consciência das suas ações, do seu modo de fazer e dos seus objetivos. Dessa forma, acreditamos que o caminho – que nem sempre é fácil – será, no mínimo, mais libertador e gostoso. <3

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