Errei, erramos.

Embaladas pela onda da nova coleção Love&Communication, refletimos sobre a necessidade de expor para todas e todos – clientes, admiradores, apoiadores, amigas e amigos – que somos uma marca feita por pessoas. Nosso negócio é pequeno e essencialmente formado por seres humanos. Diariamente nos esforçamos para que as ideias e os produtos que criamos fiquem disponíveis na vitrine do site, esperando pelo olhar carinhoso de vocês. Outro motivo pelo qual decidimos abrir esse canal é porque sentimos necessidade de falar sobre as dores e delícias de se ter o próprio negócio.

O que queremos dizer com isso? Queremos dizer que, antes de sermos uma marca, somos humanos. Queremos lembrar que todos os nossos produtos são feitos por mãos, cabeças, olhares, braços e pernas de pessoas (clique aqui para conhecer quem faz o que na nossa produção). Parece óbvio, mas é provável que nos esqueçamos de refletir sobre isso quando alguém, na posição de consumidor, detecta alguma falha.

Normalmente estamos tão acostumados a lidar com o descaso de grandes corporações e produtos sem alma e sem propósito que, quando percebemos que existe algum erro com algo que adquirimos, a primeira reação é denunciar, expor nossa insatisfação e prejuízo. Porém, não podemos deixar de perceber o grande diferencial que um pequeno negócio tem, que é – pelo menos no nosso caso – a aproximação com o cliente.

Enquanto marca, nos responsabilizamos pela qualidade do produto e o que mais desejamos é que você esteja feliz em adquirir algo útil e de qualidade. Mas isso não quer dizer que estejamos livres de erros ou críticas. Nós eventualmente podemos errar e temos esse direito. Enquanto pessoas, antes de colocarmos nosso negócio no mundo, assumimos uma responsabilidade e um risco imensos, que são tão árduos quanto satisfatórios. Acreditamos que nosso papel, além de entregar o que realmente acreditamos e fazemos com amor, seja também estimular e inspirar outras pessoas – principalmente mulheres -, a apostarem nas suas ideias e empreendimentos.

Durante a confecção das nossas peças, existem diversas etapas e processos que dependem de pessoas – novamente – humanos. Mesmo com o auxílio da máquina de costura, de bordar ou de corte, quem opera esses dispositivos são as pessoas. E consumidores, como humanos que também são, devem saber que todos podem falhar, se distrair, ter um dia ruim, problemas de saúde ou de família. As pessoas encarregadas de fazer a Gioconda acontecer também estão expostas aos problemas inerentes a todo ser humano.

A nossa equipe está o tempo todo refletindo sobre como ser mais eficiente, oferecer maior diversidade de produtos, mais facilidades para os consumidores e, ao mesmo tempo, ser uma marca sustentável, transparente, acessível, democrática e, acima de tudo, humana. Desde a escolha dos profissionais que trabalham conosco até a escolha dos fornecedores de linha e elástico, buscamos ser justas e coerentes com nossos valores.

Aproveitamos para dizer que, preferencialmente, em todas as circunstâncias, vamos dar prioridade ao trabalho e mão de obra das mulheres, menos favorecidas e das mães-solos. Até a escolha das nossas modelos possui um critério bem rigoroso, que é ao mesmo tempo difícil e divertido de seguir: damos e daremos preferência sempre a modelos não profissionais, a mulheres cis ou trans com corpos normais e fora do padrão. É nossa regra não perpetuar o que a indústria da moda faz, é nosso maior desafio quebrar os padrões estabelecidos pela sociedade patriarcal e opressora.

Estamos nesse caminho porque acreditamos no movimento independente, lutamos pela liberdade e empoderamento da mulher, o que está longe de ser o mais fácil ou o que mais vende. Acreditamos que conseguiremos alcançar esse ideal a cada dia e com a ajuda e feedback de cada um que acredita no nosso trabalho.

 

Por isso, quando eventualmente entregarmos um produto com defeito ou que não se ajusta confortavelmente ao seu corpo, estaremos dispostas a ouvir os seus apontamentos e a fazer o que estiver ao nosso alcance para satisfazer suas necessidades. Porém, queremos contar com quem está do outro lado, exigindo muitas vezes perfeição e urgência da marca. Não se esqueçam que nosso sistema e nosso modelo de negócio é essencialmente artesanal e feito por mãos e cérebros de pessoas, e que nosso motor depende da valorização de quem consome.

Fotografia: Larissa Dare

 

2 Comments

  1. Luisane disse:

    Parabéns! Não comprei (ainda) produtos da marca mas acompanho com atençao o trabalho, pois percebo o diferencial. Desejo sucesso e paciência!

    1. Oi Luisane! Ficamos muito felizes que você perceba nosso trabalho de uma maneira diferente. <3