Gioconda Clothing & Clube do Bordado

por Amanda Zacarkim Freelance web editor / Embroidery artist at Clube do Bordado

Há um jardim secreto dentro de cada mulher. E cabe a nós a sutil sabedoria de acessá-lo para conhecer seus próprios ciclos e tirar proveito do melhor que cada estação nos traz. Um jardim de afetos, prazeres, dores só nossas e um vasto coração que pulsa, nutre e deixa tudo florir a seu tempo.

Esse lugar sagrado é como uma chuva de primavera que arrepia cada poro da pele e deixa o cheiro de terra no ar. Com os sentidos aflorados e inspiradas pelas belezas que surgem da união do feminino com a natureza, as mulheres do Clube do Bordado e Gioconda Clothing dão forma à uma coleção única.

Essa parceria resulta em lingeries e roupas de bem estar que reconhecem em nós um campo florido, prestes a dar frutos e sementes. Como ponto de partida, nos voltamos aos corpos que habitamos, aos órgãos essenciais para preservar nossos jardins interiores e ao desejo de reconhecer a beleza e a força nos movimentos mais singelos, como numa respiração pausada.

Sentimos o feminino com o coração, inspiramos e enchemos nossos pulmões com saberes ancestrais. Com seios fartos nutrimos sonhos, e pulsamos arte, harmonia e desejo a partir da vulva para que então no útero floresça o feminino e despertando o auto conhecimento e o amor próprio em meio à aridez do mundo lá fora.Pensada, criada e executada à muitas mãos, a coleção apresenta peças originais que ganham forma artesanalmente.

A relação íntima com o feminino e suas necessidades está presente na escolha de tecidos naturais como algodão e linho, que são matéria-prima para os kimonos, hot pants, sutiãs, croppeds, tangas e sleep dresses. Os órgãos que nos inspiram são traduzidos em formas e cores que remetem ao tradicional bordado húngaro. Tudo florindo a seu tempo, em favor dos conceitos de slow fashion e da valorização dos saberes

empregados no bordado livre. Convidamos cada mulher a passear pelos jardins da alma e reconhecer nas flores que criamos, cultivamos e bordamos umas para as outras, como forma de carinho e cuidado mútuo. Assim somos capazes de nos lembrar que, mesmo na urgência urbana ou na frieza do concreto, há sempre espaço para acessar a intuição, desvendar nossos terrenos férteis e deixar-se desabrochar.