Como resgatar o seu próprio tempo?

Você se sente refém do tempo ou se sente longe de onde quer chegar? Você tem frequentemente a sensação de estar sempre em falta com alguém e inclusive com você mesma? Você sente que é dominada pela autocobrança e por mais que trabalhe nisso ainda se vê preocupada e apegada à expectativa do outro? Você já provavelmente recorreu à soluções como yoga e meditação e mesmo assim se sente desconectada do seu verdadeiro EU?
Saiba que você pode reverter essa distância entrando mais em contato com sua natureza através de simples mudanças de hábitos. Resgatar o tempo para si mesmo é uma tática gratuita e ao mesmo tempo transgressora que traz muitos benefícios à sua saúde mental e ao seu equilíbrio emocional.


Nós falamos muito sobre a importância de ter nosso próprio tempo e da PAUSA, através da nossa comunicação nas redes sociais. Estimulamos e provocamos através das nossas peças, momentos para o ócio, para serem dedicados à observação e à contemplação – e porque não também, uma oportunidade de cultivar o prazer pelo simples prazer?

Falar sobre isso é simples e está se tornando um tema até batido atualmente, mas para Gioconda esse é mais do que um assunto importante, é essencial, é o ponto motim de construção da marca. Por isso, decidimos mergulhar na questão e abordar aqui o que o resgate do tempo para o próprio deleite e usufruto, envolve. Porque precisamos resgatá-lo, o que nos impede de ter essa autonomia e como alcançar uma harmonia com os nossos ritmos, longe de metas e modismos oferecidos pelo mercado.


Além de mergulharmos nesse tópico, criamos e oferecemos à vocês um passo a passo com instruções para auxiliar na criação do SEU momento de PAUSA e aplicar esse ritual libertador no seu dia a dia.

Antes de tudo é fundamental fazermos um exercício interior para que a prática tenha um resultado mais efetivo. Digamos que como pré-requisito existe um trabalho mental antes da ação em si, que tem como finalidade alterar nossa forma de pensamento.


Estamos extremamente treinados e doutrinados a estar em ação o tempo todo, portanto a tentativa de retomar o tempo para nós mesmos é um desafio enorme e uma atitude um tanto quanto subversiva.


Esse primeiro exercício trata-se de nos libertar do que acreditamos ser bom, permitido e saudável para nós, sob a influência dos padrões culturais e sociais que estamos emergidos. Entender que certos hábitos e atitudes repetidas diariamente em massa não foram individualmente definidas, mas sistemicamente impostas, e nós as reproduzimos sem nos dar conta que afetam nossa própria natureza e singularidade é intrínseco à essa mudança de pensamento inicial.
A partir disso, precisamos incorporar essas transformações de forma profunda ao nosso âmago ao ponto de torná-las naturais e essenciais à nossa condição de existência. Você pode criar um mantra para ser repetido sempre que o sentimento de culpa ou de não merecimento ameaçar te visitar. Vamos lá!

➜ Você pode ter um momento para si mesmo, isso só lhe traz benefícios
➜ É completamente seguro não se sentir produtivo ou progredindo em algo
➜ Você pode ter controle sob seu próprio tempo
➜ O seu ritmo deve ser estabelecido por você e não por fatores externos
➜ Você é livre para criar seu fluxo de trabalho e ter seus momentos de PAUSA


Ao assumirmos interiormente essas novas definições conseguiremos pouco a pouco nos libertar do conjunto de leis criadas pelo imaginário subjetivo que nos impõe regras e condições para vivermos em sociedade, que muitas vezes estão impregnadas de moralismos e alienação.
Atentem-se inclusive para questões que estão disfarçadas de amor próprio e auto-cuidado como já discutimos no texto Cuidado com o Autocuidado. Esses gatilhos comercialmente explorados são muitas vezes usados como mais uma ferramenta que nos tornam escravas de produtos e condutas que não necessariamente correspondem às nossas necessidades.

Nosso corpo e especialmente nosso cérebro é refrescado por novas idéias e soluções quando paramos de agir no piloto automático.
Na verdade, esses momentos de pausa são muito produtivos, mesmo que não pareçam ser. Eles nos fazem ver as coisas e os problemas sob uma perspectiva nova e diferente, e com isso podemos viver mais em sintonia com as nossas verdades e começar a agir ou deixar de reagir da forma como costumávamos fazer.
Rotinas diárias cheias de tarefas e demandas físicas deixam a nossa mente estressada, nosso fluxo sanguíneo obstruído e, como consequência, nosso campo energético fica estagnado, não permitindo que os pensamentos tóxicos se desprendem para que outros entrem.
Estando em harmonia com seus ritmos internos, você é capaz de trabalhar com os sentimentos e pensamentos ordinários de forma que eles sempre te ensinem ou te levem à uma aproximação maior de sua própria natureza.
Você é livre para customizar esse ritual de acordo com os seus desejos e particularidades, o essencial é manter a intenção focada e os seus objetivos claros.

Agora vamos ao ritual:

➜ Crie seu espaço
➜ Permita-se ficar sozinho
➜ Deixe seu celular no mudo ou desligado
➜ Fique em silêncio
➜ Acenda um vela
➜ Fique nua/ Observe a natureza

Mais detalhes de cada etapa:

Crie seu espaço

Eleja um lugar para você. Pode ser em sua casa ou em qualquer outro lugar. Escolha um lugar em que você se sinta seguro e relaxado. De preferência, onde você pode estar completamente sozinho e longe de todas as suas obrigações cotidianas. Decore este lugar com as coisas que mais gosta – os seus cristais, as suas pedras, os seus talismãs, os seus livros favoritos, uma fotografia de si mesmo que você acredita que traduz a sua alma. Se o seu lugar é fora de casa, prepare uma mochila com todas essas coisas para levar quando você for lá! Este lugar deve ser sagrado para você, é o seu altar, onde você encontra as peças que formam quem você é, onde você recupera sua natureza, onde você resgata sua voz interior.

Permita-se ficar sozinho

Ficar sozinho nos permite invocar a nossa consciência, que é um grande passo para o encontro com as nossas verdades, a nossa autonomia + independência emocional.
A solidão inspira criatividade – porque não estamos sendo julgados por ninguém, a não ser pelo nosso próprio senso crítico. Além disso, estar sozinho nos permite distanciar da dispersão ao redor.
Quando você está sozinho, na verdade você é uma versão de si em sua totalidade, sem as referências que os outros tem sobre você. Você é a única referência. Você pode experimentar uma abertura completa de si sem julgamentos externos. Você pode despertar as imagens que você produz sobre você mesmo e as crenças que moldam seus valores e ações o tempo todo.

“Como uma onda rolando da areia de volta para o oceano – recompondo-se em uma unidade com o oceano”. Solitude, de Philip Koch


Você pode também se dar conta que existe um lado desconhecido de si mesmo, um território dentro de si ainda não explorado e descoberto e tudo bem. Temos todos uma parte misteriosa para nós mesmos, e mesmo que seja obscura não devemos ignorá-la ou descartá-la.

Deixe seu celular no mudo ou desligado

Tecnologia no geral nos mantém extremamente dispersos e distraídos das nossas próprias habilidades e capacidades. Limita nosso cérebro e nossa imaginação inibindo nossa criatividade. Apesar de conter muitas ferramentas que ajudam a criar conteúdos e documentos interessantes, devemos ter discernimento para deixá-la de lado às vezes. Imaginem quantas coisas podemos alcançar com o tempo que gastamos com nosso smartphone na mão?

Fique em silêncio


Ficar em silêncio aumenta nossos outros sentidos, intensifica todas as sensações físicas. Além de potencializar nossa visão e consequentemente nossa observação do que está ao nosso redor e do nosso próprio corpo.
Ficar em silêncio significa desligar o barulho exterior e a mania de buscar incessantemente nomes, explicações e metáforas para tudo que sentimos. Quando ficamos em silêncio, encaramos nossas sensações de forma mais potente e crua. Nossa consciência corporal aumenta, a percepção de nós mesmos e das emoções ficam mais claras e focadas.

Acenda uma vela


O fogo desperta automaticamente nossos instintos mais selvagens. Consequentemente nossos sentidos ficam aguçados e nossa intuição aflorada. O fogo é em sua simbologia mais simplória, a fusão entre o homem e a natureza, é a potência de duas forças, que mutuamente, se manifestam para criação e também para destruição. Elemento vital dentro de um ritual que envolve ganhos e descartes.


Fique nua/ Observe a natureza


Nós ficamos cobertos a maior parte do tempo, inibindo e escondendo partes do nosso corpo, muitas vezes censuradas pela sociedade. Não é estranho que talvez nosso corpo seja estranho para nós mesmos? Muitos dos nossos complexos estão enraizados nesses padrões externos e sociais. Encarar nosso corpo de maneira carinhosa e natural nos ajuda a conhecer nossas questões com eles e trabalhá-las mais a fundo. Além de trazer maior consciência corporal, somos presenteadas com uma maior sensação de presença.

Caso você esteja em um local que não seja confortável ficar nua, preste atenção à natureza em volta. Observe os sons e as formas ao redor. Não faça nada, apenas use os seus sentidos para explorar o momento presente. Toda a sua apreensão neste momento tem um potencial de aprendizado dentro de você tão imenso quanto a natureza. Se concentre no poder da Mãe Terra até que você tenha a sensação que você e a paisagem se fundiram e sua pele foi eliminada.  


Esse ritual só trará resultados se for praticado de maneira consistente e aplicável no seu estilo de vida. Aprender a se escutar e determinar seu próprio ritmo não é tarefa fácil e muito menos acessível à todos, mas pode trazer benefícios imensuráveis quando conquistados. Além disso, ele não substitui a meditação nem outras práticas que tem como objetivo o despertar da consciência, mas se forem usados em consonância podem ser muito frutíferos. Adote esse ritual se ele fizer sentido pra você e passe adiante!

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